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1 de janeiro de 2012

IMPERFEITOS



Com meus calorosos cumprimentos
Ergo a taça do orgulho próprio
E faço um longo minuto de silêncio
Aos convivas e amados iguais
Cujas chagas ardem e gritam, doentes
Mas ainda assim são as marcas latentes
Sim, senhores, de nossas imperfeições
Vamos organizar a mesa redonda
Os panos inadequados, os pratos achatados
E que cada um dê conta do próprio banquete
Que o tempo se encarregue de ajustar
Os ponteiros tortos que marcam as horas erradas
E todos possamos rir, expondo as janelas dos dentes
E que por essas janelas entre o vento bom
Carrego em minha carteira o distorcido RG
E as bainhas de minhas calças curtas por fazer
Porque um belo dia eu tive de aceitar e sorrir
Muito mais por ser quem sou do que por ser quem quis
A quem quer que possa, portanto, interessar
Encontre-me no fim da ladeira desajeitada
Para que possamos degustar da primeira rodada
De poesias capengas, hoje é por minha conta
E cá entre nós, meus prezados, é da nossa conta e só

3 comentários:

Mensagem Efêmera disse...

Somos seres humanos, afinal. Não nos esqueçamos disso.

TiagoQuingosta disse...

Menino, tens muito futuro. O que é assimétrico é mais belo.

Rodrigo Ferreira disse...

Tão tocando quanto o texto "Eu queria ser bonito". Tô seguindo o seu blog só pra ficar sempre atualizado quanto aos seus posts. ^^