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2 de maio de 2012

AS COISAS QUE PROCURAMOS NO ESCURO



Entendo que o ser humano é um buscador. Parece-me, inclusive, que alguns em particular são buscadores eternos. De quê? De tudo. O homem geme no escuro de seu ser por necessidades latentes, apesar de algumas dessas serem questionáveis, fúteis. O problema é que nem sempre sabemos identificar o alvo de nossos anseios. Apenas sentimos e desejamos. No afã de preencher lacunas de natureza desconhecida, acabamos por nos envolver com coisas e/ou pessoas que não somam em nada, mas subtraem muito. Subtraem tempo, juventude, vida. Dinheiro também, claro.
Entendo que o ser humano que se entrega a Deus a fim de um compromisso sério não precisa ansiar por mais nada, posto que a vida que se oferece para caminhar com Jesus automaticamente começa a fazer sentido e suas necessidades (reais) são supridas gradativamente. Entretanto, pode ser que essa minha afirmação, em algum campo, abra espaço para questionamentos, ressalvas, controvérsias, até mesmo de pessoas da seara espiritual. Ainda bem que não almejo o título de dono da verdade.
Mesmo o indivíduo realizado espiritualmente pode ser um buscador, no sentido mais coletivo da palavra (para ser mais preciso, o sentido empregado no início deste texto, que agrega os seres humanos independentemente de etnias, religiões, posicionamento político). Pode não estar buscando a Deus, mas pode estar visando uma carreira promissora no mundo empreendedor. Quem sabe queira ser pai ou mãe. Pode estar atrás de uma aprovação num concurso público, de uma chance de ser rico, de aprender uma nova língua, de entender seu lugar no mundo ou até mesmo de mudá-lo. Esse desejo gritante em nossos peitos consegue moldar muitos momentos de nosso dia-a-dia, definir nossas agendas ou tirar-nos o sono.
Eu diria que existe uma outra categoria de “buscadores”, que aliás é a pior: aquele que está procurando por algo que um dia já teve e foi perdido. Espere. Não. O pior buscador é aquele que procura por algo que já lhe pertenceu, já lhe foi próprio, perdeu-se e durante sua busca nem sabe o que é. Você já se pegou num mar sem o menor sentido, nadando com os braços cansados, embora não soubesse a finalidade disso? Já se flagrou no escuro do seu ser revisitando memórias que parecem quebras-cabeças sem as peças correspondentes? O que lhe falta? O que nos falta? Onde estão as paixões que costumavam acender enormes fogueiras em nossos corações? Devemos continuar buscando o que não temos ou o que já tivemos? Até que ponto?
São muitas perguntas. Este texto nunca teve a intenção de fornecer respostas. Este texto nasceu para indagar, para inquirir, pois neste exato momento me pego em plena interrogação. Minha salvação para isso tudo é saber que Deus me concede um novo aprendizado a cada dia, e daqui a pouco irei dormir confiante de que cada amanhecer traz consigo uma nova resposta para minhas perguntas. Ou, pelo menos, uma pecinha pra ajudar a montar o quebra-cabeças. 

6 de março de 2012

EUS



Eu sou eu
Sou aquele que cruza por você todas as manhãs
Sou aquele que tem cheiro de colônia barata
Sou aquele que esbarra em você na loja lotada

Este sou eu
Sou aquele sentado atrás de você no teatro
Sou aquele que vendeu seu ingresso pro show
Sou aquele que suas compras do mês embalou

Assim sou eu
Aquele que está atrás de você na fila do banco
Sou aquele que ouve rock ao seu lado no ônibus
Sou a mulher que limpou o banheiro que você usou

Quem sou eu
Sou aquele que te saudou domingo na igreja
Sou aquele que colou a etiqueta de preço no biscoito
Sou aquele professor que seus filhos odeiam

Todos eu sou
A enfermeira que deu a última sopa de seu pai
A amiga que ouviu os segredos de infância de sua mãe
A criança que sujou por acidente a roupa de sua irmã

Francamente sou
Sou aquele que respirou a fumaça de seu cigarro
Sou aquele que se ofereceu pra cuidar do seu carro
Sou o artista que escreveu sua canção favorita

Sou como sou
Sou toda a plateia do espetáculo que você estava
Sou toda a torcida do jogo que você vibrava
Sou esposa humilhada, marido traído, filho abusado

Eu sou eu, e como eu sou do jeito que tem que ser
Acabo sendo muitas vezes menos do que gostaria
E às vezes mais do que deveria
Mas, acima de tudo, que você não esqueça que eu sou!

22 de fevereiro de 2012

crônica: COMO NASCE UMA CRÔNICA (em 3D)



Uma crônica pode nascer de diversas maneiras. Uma delas, como neste texto, diz respeito ao autor colocar a cabeça pra funcionar em busca das origens possíveis das crônicas. Antes, deixe-me dividir com você algo interessante que me ocorreu há algum tempo: eu enfiei na mente a ideia de um dia escrever o que seria, na minha imaginação, uma crônica 3D! Estranho, não? Mas essa insensatez —coisa de escritores— se deve a uma ocasião em que estive refletindo sobre o rótulo de uma famosa marca de fermento em pó. Você deve se recordar. O rótulo vermelho mostra no centro uma lata de fermento igualmente àquela que tem o rótulo vermelho, e a imagem da lata com rótulo vermelho vai se sucedendo, uma dentro da outra.
No afã da minha viagem na maionese, um desses milésimos de segundo tão insanos quanto ironicamente saudáveis, imaginei se eu não estivesse dentro de uma embalagem de fermento em pó, uma vez que, já que há uma bendita lata no rótulo de outra lata, quem me garantiria que a lata na “minha realidade” não seria desenho ilustrando um rótulo? Agora você entende parte dos meus acessos de loucura que originam os mais diversos textos de ficção (incluindo os deste blog).
A verdade é que me desviei do que me propus no início. Sim, sim, como nasce uma crônica? Tem vezes que uma crônica simplesmente explode na cabeça do cronista, como um big bang devastador, que não se preocupa se o escritor tem mil problemas o atormentando, conflitos mentais, projetos literários diversos ou se ele acessa internet em Macapá. Tem crônicas que são completas amigas, pois elas já vem com uma estrutura pronta, início, meio e fim. Não é o caso desta, por exemplo. Porém, as outras a que me referia são tão camaradas que a única coisa que falta, obviamente, é serem escritas. As crônicas dessa espécie só não se escrevem sozinhas e se atiram num blog ou na página de um livro porque, no dia que isso acontecer, provavelmente muitas outras bizarrices assustadoras estarão acontecendo paralelamente no mundo, como um computador cansar de ser xingado pelo internauta frustrado, possivelmente morador de Macapá, e se desligar sozinho e religar somente com um pedido de desculpas categórico e um buquê de rosas. Uns elogiozinhos disfarçados de vocativos caem bem, tipo “meu PCzinho fofo, religue-se, por favor!”
Vale lembrar que crônicas são, essencialmente, narrativas do cotidiano que aproximam o leitor com muita facilidade do texto, pois uma característica primordial da crônica é revelar a verdade muitas vezes ignorada ou mal percebida. É por isso que grande parte das crônicas tem forte apelo humorístico, porque nós nos identificamos naquelas linhas, nós lemos e suspiramos aliviados por saber que não estamos sozinhos em muitas de nossas atitudes, e isso quase sempre nos faz rir. Juntando-se a verdade do dia-a-dia com alguém que tenha paixão por escrever, além de talento também, BUM!! Tem-se uma crônica bem cozida e pronta para servir, sem limite de porções.
Como nasce uma crônica? Pode nascer sem querer, quando você olha uma cena na rua ou imagina o desenvolvimento de uma mera imagem que você viu em algum lugar. Pode vir de uma reles frase proferida por um amigo seu ou mesmo um desconhecido que teve o abençoado papel de te inspirar a criar uma crônica. Não sei se consegui expor lucidamente meu ponto de vista. Às vezes, a crônica nos faz divagar, nos faz discorrer sobre elementos peculiares da vida diária, mesmo que nos ponha um pouco à parte de um foco específico. Ela nos leva sorrateiramente a criar um diálogo tão à vontade que, aquilo que fora proposto por ela, acaba fazendo sentido na mente dos que estão atentos na leitura. Ou será que não? Quanto à minha crônica 3D, que seria uma crônica dentro da crônica (levando em consideração que 3D busca causar o efeito da profundidade aos nossos sentidos), considero quase uma missão que cumpri indiretamente, com este texto. Crônica 3D?!?! Façamos o favor, né? Isso não existe...

13 de fevereiro de 2012

O REAL "CINEMA" DE TERROR --- entenda o que são os perturbadores Vídeos Snuff



Até que ponto pode ir a perversidade humana? Existe um limite para aquilo que identificamos como mal? O que é o mal? Sim, este texto começa fazendo questionamentos que, para uns, pode ser trabalhoso dar uma resposta direta. Para outros, nem tanto, talvez um mínimo comentário de concordância com o fato de eu estar chamando para esta reflexão.
Certa vez eu abordei neste blog a existência do livro “Crimes satânicos”. Este é um material muito interessante para quem gosta de ler e descobrir um pouco do que rola nos “bastidores da maldade do coração humano”. Um dos pontos mais atrativos na referida obra são os snuff movies ou vídeos snuff. Até ler sobre eles justamente no livro, eu mal fazia ideia de que existiam.
Numa definição ligeira, os vídeos snuff são vídeos amadores gravados com fins comerciais, contendo cenas reais dos mais diversos tipo de violência, sobretudo sexuais, inclusive até com mortes (algumas em rituais diabólicos). E pode ficar mais pasmado: esse mercado, além de ter público considerável, movimenta muito dinheiro. A maior parte dos consumidores desse tipo de mídia deplorável e revoltante é de pessoas com alto poder aquisitivo, cujas mentes doentias sentem prazer em ver homens, mulheres e crianças sendo torturadas psicológica e sexualmente, pagando até coisa de milhões por isso. A maioria desses consumidores é composta de gente com cargos altos em empresas, setores públicos, política. E fazem parte dos bastidores podres do mundo.  Indicadores apontam para a presença de redes organizadas que promovem e produzem tais filmes, incluindo seitas satânicas, com clientes fieis.
Apesar de poucas pessoas saberem da existência desse mercado sinistro, ele não é algo recente. O primeiro vídeo snuff que veio a público foi descoberto na década de 1970. O tema mais explorado nesses vídeos é a pornografia em algum grau, mas sempre um grau que precise envolver algum ato violento, como estupro, pedofilia, mutilações e, conforme já mencionado, morte. O fato de um vídeo snuff invariavelmente apresentar sexo não significa que todo vídeo com sexo que circule clandestinamente por aí seja um snuff movie (aquele vídeo da sua amiga de escola, faculdade ou trabalho, gravado com o namorado dela e que “acidentalmente” caiu nos celulares e PCs de todo mundo, não é um snuff). Isso vale também para vídeos que apresentam execuções de pessoas, como vídeos islâmicos que ficaram populares tempos atrás, em que fundamentalistas decapitavam soldados americanos ou ex-islâmicos convertidos ao cristianismo considerados traidores da fé. Esse tipo de vídeo não se define como um snuff.  Os vídeos snuff conseguem ser piores do que isso, apesar de eu nunca ter visto um, mas pelos relatos chocantes que revelam suas características. Pergunto-me se o pior nesse mercado é haver quem faça um trabalho como esse ou haver quem compre. Você vê a gravidade? Não se trata apenas de matar pessoas diante de câmeras, mas também de lucrar (e muito) com tamanha desgraça!!!
O tema voltou à tona depois da censura poderosa ao filme A Serbian Film- Terror sem limites, produção sérvia do cineasta Srdjan Spasojevic (pois é, também não sei pronunciar...). O filme foi proibido em vários países, incluindo Brasil (depois de certa pressão das autoridades responsáveis, já que nem todas as cidades brasileiras haviam censurado a possível exibição), e teve vários cortes em outros, como na Inglaterra (49 cortes). A história narra a decadência de um ator pornô sérvio que, para tentar melhorar a vida financeiramente, topa participar de produções pornográficas suspeitas. E é então que o filme de Spasojevic toma um rumo cinematográfico suportável apenas para quem tem estômago forte e nervos de aço, pois as encenações são cruas e querem a todo custo convencer-nos de seu propósito: chocar. O personagem principal do filme acaba envolvido em produções de vídeos snuff, com toda sorte de violências sexuais, mentais e físicas, um festival horrendo de sangue e torturas. O cineasta defende-se dando argumentos de que era uma forma de se manifestar sobre o que sentia com relação a todos os eventos lamentáveis de seu país natal nos últimos 20 anos, ao mesmo tempo que quis nos estarrecer ao revelar as mazelas das sociedades ao redor do mundo. Ele acrescenta que nunca teve a intenção de fazer o filme para fins de entretenimento. Enfim, A Serbian Film, a meu ver, não é nada recomendável. Consegue arrancar de nós as piores reações possíveis, apesar de ironicamente atingir um de seus alvos: fazer-nos refletir e atentar para o que o ser humano é capaz de fazer.
Meu intuito neste post não foi chocar você, apesar de saber que seria uma consequência. Que essa consequência seja um despertar. Sei também que muitos tentarão ir atrás do tal filme sérvio, buscarão no Google algum snuff movie. A curiosidade é natural. Não o culpo se quiser assistir a qualquer coisa mencionada neste texto. Entretanto, analise-se enquanto estiver em contato com algo dessa natureza. Analise qual seu grau de tolerância com a maldade, com a violência, com aquilo que se diz ser da natureza humana e que muitos usam como argumento para sua aparente neutralidade diante dessas situações escandalosas e revoltantes. Sou cristão e defendo o amor, defendo a servidão a Cristo e creio na Bíblia. Para mim, a origem de todo esse negrume em nossas almas, capaz de nos fazer vilões de filmes crueis da vida, é a maneira como adoramos a nós mesmos, nosso egoísmo, nosso prazer acima de tudo. Enquanto formos adoradores da ganância e do eu, mais estaremos propensos a espezinhar as vidas daqueles que merecem ser felizes tanto quanto nós.  Meu coração estremece com verdades nuas e cruas como as mencionadas aqui. Que Deus nos abençoe!

18 de janeiro de 2012

ADELE, FÃS EGOÍSTAS E O PROBLEMA DAS "MODINHAS"



O ano passado foi farto de bons frutos para a carreira da britânica Adele, na minha opinião a maior (e melhor) revelação mundial da música pop de 2011, apesar da talentosa cantora estar ralando há mais tempo que isso. Someone like you, seu terceiro single do álbum chamado 21, está na boca do povo (em todo tipo de "inglês" que você puder imaginar), graças à influência de sua presença numa novela global. Então, é nesse ponto que este texto começa a desencadear seu objetivo.
Para muitos fãs de Adele no Brasil, agora que seu hit está entre as mais pedidas das rádios em todo o país, a cantora ficou banalizada. Deixou de ser objeto de seus mimos, exclusividade de seu arrojado gosto musical e passou a ser uma voz popular, virou "modinha", todo mundo gosta, curte e tem em MP3 no celular. Para muitos, desespero, "não ouço mais Adele porque vão pensar que sou poser (termo para quem facilmente se agrega a algum movimento artístico-cultural)". Para outros, indiferença. Para outros poucos, tranquilidade e até contentamento: "Ótimo, que bom que agora mais gente reconhece o valor da Adele e passa a ouvir menos tal e tal gênero musical, tal e tal cantor sertanejo e por aí vaí". 
Pois é, algumas vezes ficamos muito aborrecidos com o problema de algo do nosso rol de preferência virar "modinha". Mas por que tanto alarde? Por que tanto nojinho quando Someone like you embala cenas na novela? Isso não é a primeira vez que acontece, já vem desde os tempos em que muitas bandas saíram do underground  e passaram a ser conhecidas nas periferias, tiveram suas imagens estampando camisetas de jovens de baixíssima renda (Evanescence, Linkin Park, Slipknot, Nightwish, só para citar alguns exemplos). O problema é que o ser humano tem necessidade por exclusividade ou bairrismo. Ele gosta de estar entre os primeiros que conheceram o trabalho de algum grande cantor que mais tarde explodiu. Ele gosta de compartilhar apenas entre os "seus" todo tipo de informação sobre aquela banda ou aquele artista. Quando o trabalho desse artista começa a escapar de sua jurisdição, seu egoísmo ganha formas beirando à mesquinharia e ele começa a protestar, desmerecer a maioria das pessoas que se tornaram fã do artista e passar a impressão de que houve uma rachadura em seu mundo. Uma pergunta aqui: qual é o problema de algo virar moda? O quanto isso influencia sua vida de maneira a fazê-la desandar?
Este texto tem tons exagerados, eu sei. E ele não é para acusar ninguém, até por que eu mesmo já dei uma de fãzinho chato que pagou de pedante por conhecer há mais tempo determinado artista. Entretanto, opa!, também já estive do outro lado. Parece que algumas pessoas querem ser detentoras do direito de serem únicas fãs de um determinado trabalho. Não é só com música, obviamente. Creio que, tudo bem você fazer um pouco de bico por ter de dividir seus queridos ídolos, mas acho que deve haver um certo limite. Deveríamos ficar mais felizes em ver que nossos artistas favoritos estão ampliando seu nicho, estão tendo mais reconhecimento, estão sendo valorizados. Claro que existem aqueles indivíduos que nunca conseguiremos considerar fã, pois nunca passará de um modista, nunca pesquisará sobre a carreira do artista, nunca conhecerá músicas além de hits consagrados, mas acho que todo fã deve começar de algum lugar. 
Outro ponto que eu não deveria deixar de ressaltar é a presença dos hipócritas que entraram em alguma onda ou tribo urbana por influência (de novela, internet, amigos etc.) mas adoram tacar pedras nos "modistas calouros". São aqueles que atacam a modinha e os modistas mas não tem argumentos para defender sua posição ou possuem argumentos muito fracos, resumidos a xingamentos ou definições simplórias a respeito do novo público que está aparecendo. Alguns gostam de posar de intelectuais, outros só estão dando vazão à sua chatice, outros são os dois.
Se não dá para escolher um lado nessa luta toda (se incentiva ou se odeia que mais gente venha a conhecer o trabalho do seu ídolo), tente achar um equilíbrio. Eu só não concordo em matar e abandonar nas trevas eternas do underground os artistas ou gêneros musicais que prezamos tanto. Afinal, muito se reclama que a cultura à nossa volta é pobre e o povo consome muita porcaria. 


15 de janeiro de 2012

CÁSSIA


Já repararam no M e V que estão no colarzinho dela??....

Com você as músicas são diferentes
Elas atravessam os ouvidos
Como num desfile colorido
Com você os poemas respiram
Eles parecem ter pulmões carregados de ar
O suficiente para vender e dar
Com você os dias tem horas a mais
Que correm rápido quando perto e lento quando longe
Mas que ainda assim mantém você no horizonte
Com você as comidas tem sabor refinado
Como se meu paladar nunca tivesse experimentado
O que é realmente saciar uma fome de fato
Com você as caminhadas não são cansativas
E as estradas ficam repletas de árvores vivas
Com flores e frutos maduros pra colhermos juntos
Com você as letras do alfabeto parecem dançar
Elas formam palavras de amor em vidro embaçado
E escrevem histórias que superam o passado
Com você o meu riso é mais fácil, mais aparente
Como se o conceito de alegria fosse mais frequente
E cada minuto contivesse um aprendizado ao teu lado
Com você as noites mais escuras são as mais claras
Em que me perco na imensidão do teu olhar
E brinco de amor correndo pra lá e pra cá
Com você sou menino cometedor de desatinos
E num suave despertar conheço meu destino
Teus braços e cabelos para me abrigar e envolver
As coisas singulares que só provo com você!


FELIZES 4 MESES DE NAMORO, QUERIDA CÁSSIA!!!!


13 de janeiro de 2012

crônica: O TELEFONEMA


Tomou seu sagrado copo com leite, vestiu o indefectível pijama branco todo listrado de castanho-avermelhado, beijou o retrato da falecida e foi dormir. Às dez em ponto. Lá pelas duas da madrugada, o celular tocou estridente, aquela música do Amado Batista que aprendera a gostar por causa do saudoso pai. Um tanto contrafeito, atendeu a inusitada ligação:
─ Pois não?
Ele não tinha o costume de dizer “alô”.
─ Humm... Então você realmente atendeu, hein!─ disse uma voz masculina lentamente, do outro lado da linha.
─ Ora essa, é claro que eu atendi, senão você não estaria falando comigo e nem saberia que eu realmente atendi─ ele observou no relógio em seu braço que eram duas da manhã.─ Mas quem está falando?
─ Ah, por que essa pressa toda, Naldão? Vamos brincar um pouco!
Devia haver algum engano naquilo tudo. Seu nome era Vitório Carlos, nunca conheceu qualquer Naldão ou algum sujeito de apelido similar. E quem estava falando daquele jeito todo empostado no telefone era um homem. Um homem! Suspeitíssimo...
─ Escuta aqui, camarada─ disse Naldão, ops, Vitório Carlos, ─ Você deve estar enganado. Meu nome não é Naldão. Eu estava dormindo e você me acordou. Vamos encerrar esta ligação por aqui porque você ligou para o número errado.
─ Como assim, Naldão? Mas eu liguei 1234-5678. Não é seu número?
─ Olha, é meu número, mas...
Naldão pensou, pensou... Ops, Vitório Carlos pensou, pensou... Só podia ser marmota do pessoal da empresa. Ninguém o deixava em paz. Só porque ele era tranquilo e nunca dava trela para as gracinhas dos colegas de trabalho. E não era agora que ia dar esse gostinho. Com certeza era uma pegadinha, talvez uma daquelas de programa de rádio. Pô, mas às duas da manhã??
─ Onde você conseguiu meu número?─ indagou Vitório, decidido a entrar no jogo dos colegas que queriam dar uma de espertalhões.
─ Eu peguei seu número na porta de um banheiro lá no Shopping das Margaridas... Eu me lembro muito bem do que tava escrito lá, foi por isso que liguei. Desculpa a hora, Naldão, mas é que eu canto na noite, sabe...
Vitório Carlos estava chocado. Seu número de celular na porta de um banheiro no Shopping das Margaridas? Desta vez seus colegas tinham ido longe demais. Estavam ultrapassando a fronteira da brincadeira e começando a ferir seus sentimentos.
─ Aí você se interessou pelo que estava escrito lá...─ Vitório Carlos continuou dando corda pro desconhecido.
─ Ah, mas quem é que não ia se interessar? Veja bem, eu nem sou gay, mas sua propaganda foi tão... matadora, que eu tinha de conferir.
Nessa hora Vitório deu um sorrisinho. Pôxa, não é todo dia que dizem que sua propaganda é matadora. Porém, no segundo seguinte, retomou a compostura:
─ Meu amigo, sinto muito, mas tenho que dar essa ligação por encerrada. Infelizmente houve um terrível engano aqui.
─ Mas, Naldão, você me confirmou que esse é mesmo o seu número. Agora quero marcar um encontro com você. Quero saber se aquelas medidas descritas lá na porta estão exatas, se você faz tudo o que promete mesmo... Você não entende, Naldão? De repente essa pode ser a única oportunidade em nossas vidas de vivermos o amor verdadeiro.
─ Por obséquio, meu chapa!─ xiii, quando Vitório usava “por obséquio, meu chapa!”, era sinal de nervosismo extremo─ O meu nome não é Naldão!! Nunca mais ligue pra mim, está entendendo? Passar bem!
E desligou o telefone na cara do sujeito. Onde já se viu? Que coisa mais ridícula! Para onde estava caminhando este mundo? E ele nem sequer imaginava que havia caras que realmente ligavam para números de telefone escritos em portas de banheiros públicos. Os caras da empresa conseguiram tirá-lo do sério.
─ Era só o que me faltava─ Vitório Carlos continuou resmungando, enquanto ajeitava o travesseiro sob a cabeça.─ Eu jamais escreveria meu número de telefone num banheiro do Shopping das Margaridas...

E Naldão demorou a dormir. Ops, Vitório Carlos. 

1 de janeiro de 2012

IMPERFEITOS



Com meus calorosos cumprimentos
Ergo a taça do orgulho próprio
E faço um longo minuto de silêncio
Aos convivas e amados iguais
Cujas chagas ardem e gritam, doentes
Mas ainda assim são as marcas latentes
Sim, senhores, de nossas imperfeições
Vamos organizar a mesa redonda
Os panos inadequados, os pratos achatados
E que cada um dê conta do próprio banquete
Que o tempo se encarregue de ajustar
Os ponteiros tortos que marcam as horas erradas
E todos possamos rir, expondo as janelas dos dentes
E que por essas janelas entre o vento bom
Carrego em minha carteira o distorcido RG
E as bainhas de minhas calças curtas por fazer
Porque um belo dia eu tive de aceitar e sorrir
Muito mais por ser quem sou do que por ser quem quis
A quem quer que possa, portanto, interessar
Encontre-me no fim da ladeira desajeitada
Para que possamos degustar da primeira rodada
De poesias capengas, hoje é por minha conta
E cá entre nós, meus prezados, é da nossa conta e só

30 de dezembro de 2011

UM BRINDE AO ADEUS



Poucas coisas são unânimes entre os seres humanos. Acredito que uma delas seja o final de um ano, pois não vejo ninguém chorar, espernear e se desesperar para que um ano não acabe. As pessoas aceitam esse fim muito mais facilmente do que a morte de alguém, mesmo esse ano tendo sido o melhor de suas vidas. Final de ano é um período em que muitas promessas e desejos surgem nos corações. Gente que enxerga uma esperança vindoura, “se Deus quiser comprarei meu carro ano que vem”, “em Janeiro começarei aquela dieta”... Não importa, dos sonhos e promessas mais bobos aos mais nobres. Muitos chegam ao fim do ano da mesma maneira que o iniciaram. Algumas pessoas viveram amarguras tenebrosas, perdas terríveis e das mais diversas, mas algumas lições puderam ter sido tiradas. Se ainda não se tirou lição alguma das agruras vividas, talvez haja alguma centelha na qual reside a fé de que ainda aprenderão algo. Muitos atravessaram 2011 carregando fardos de dúvidas, rancores, mágoas, dívidas, dissabores, preocupações, mas que perto do fim conseguiram vencer, rir do que passaram e ainda incentivar outros que ainda não obtiveram êxito. Muitos não passaram por qualquer situação sinistra. Comeram, beberam, dormiram e viveram 365 dias como quem bate o ponto religiosamente no emprego, sem nada de tão anormal.
Mas convoco-vos nestas poucas linhas a fazermos um brinde. Seja lá o que você tenha passado, chorado, sorrido, sofrido. Seja lá quantas vezes você decidiu algo e mudou de ideia no outro dia. Seja lá quantas vezes você pensou estar certo, mas teve de admitir que estava errado. Seja lá quantas vezes você viu sua mão sangrar de tanto esmurrar pontas de facas. Seja lá quantas vezes você jogou e perdeu, perdeu e ganhou, jogou para perder de novo e ganhou mais uma vez para mostrar que na vida se ganha e se perde... Brinde comigo! Nós nem sequer precisamos de álcool para isso. Precisamos apenas nos abraçar carinhosamente. Um abraço cálido, fiel, de quem carregou a cruz e manteve um sorriso impossível no rosto. Um abraço de quem não via a hora desse ano acabar, pra recomeçar do um literalmente, desta vez se sentindo mais treinado, mais preparado, com as armas certas para a batalha. Que nós possamos brindar um fim que pode representar, se Deus quiser, um novo e brilhante começo.
Felicíssimo ano-novo!!

OS MELHORES TEXTOS DO ANO

Obrigado a todos que votaram e também a todos que incentivaram meu trabalho através da leitura dos textos escolhidos como os melhores de 2011.


CATEGORIA POEMA: MEMORÁVEL FIM DE TARDE


O poema que fiz para minha namorada Cássia Monteiro foi o escolhido. Um poema simples, porém feito com todo carinho e pureza, feito com paixão. É bom saber que a arte baseada num lindo e único momento rendeu um ótimo fruto e admiração daqueles que apreciam obras poéticas. Dedico a ela a vitória deste texto.


CATEGORIA CRÔNICA: OS SEIS AMIGOS


Confesso que esperava pela vitória de "Velhos!", que teve mais comentários e mais visitas. Entretanto, parece que a história de seis amigos que se reencontram numa cadeia de circunstâncias bizarras alcançou uma marca maior. Fico muito feliz e surpreso, agradeço ao carinho de todos que riram e compartilharam desse texto por aí. Foi feito unicamente para entreter e deliciar aqueles que tem na leitura um grande hobby, para fazer esse hobby valer ainda mais a pena.


CATEGORIA ARTIGO: CUIDADO COM ELOGIOS!!


2011 foi um ano em que resolvi continuar investindo em artigos, emitindo opiniões e até dando uma de conselheiro, rsrs... O artigo que fala sobre os perigos de se fazer/receber muitos elogios foi o preferido. De certa forma é até irônico, pois a eleição dos melhores textos de certa forma me rende elogios, e um dos textos vencedores nas votações é justamente um que enfatiza os problemas oriundos de uma vida acostumada a louvores. 


Para mim, entretanto, o melhor prêmio, digamos assim, é saber que de alguma forma aquilo que escrevi neste ano para este blog possa ter tido de fato alguma utilidade. Minha ambição maior enquanto escritor é que meus textos façam alguma diferença na vida de quem os lê, mesmo que durante alguns segundos. Quero divertir, informar, entreter, fazer pensar. Se isso tiver sido alcançado, amém!
E muito obrigado por tudo, mais uma vez...

12 de dezembro de 2011

POEMA PERFEITO DO AMOR PERFEITO




Ela vai toda cheirosa, bonita e penteada
Ele carrega uma rosa, está todo garboso
Ela sorri de longe e acena apaixonada
Ele nunca conheceu amor mais gostoso

Ela o abraça, beija e para sempre o ama
Ele repete os gestos e, claro, nem reclama
Ela sorri de novo, na verdade a cada segundo
E ele promete a ela tudo que há no mundo

Eles se sentam em qualquer lugar e se adoram
O tempo fica estático enquanto eles namoram
Ela ri de qualquer bobagem que ele diz
Ele sabe exatamente como fazê-la feliz

Ela olha o relógio, já é tempo de se despedir
Ele a aquece em seus braços pra não deixá-la ir
Ela sonha com o dia em que irão se casar
Ele guarda dinheiro pra quando o tempo chegar

Ela pede “querido, me belisque, acho que é sonho”
Ele hesita, não quer machucá-la, pode doer bastante
Mas ela insiste, ele a belisca, puft! Cadê Antônio?
Acordam cada um em sua casa, nunca se viram antes

18 de novembro de 2011

crônica: OS SEIS AMIGOS

Eles eram seis amigos. Estudaram da quinta série até o fim do ensino médio. Viveram juntos as mais diversas experiências, choraram, riram, se esborracharam, sofreram, brigaram, aprenderam... Até que, pelas circunstâncias naturais do curso da vida, foram se separando, perdendo contato, a amizade foi ficando como uma âncora naquele espaço gostoso da memória. E, ainda mais natural, foi que um deles bateu as botas. Apenas o mais próximo do falecido ficou sabendo, através de uma atualização da irmã deste, via Twitter. Condoído, Osmar então arranjou um terno elegante e se preparou para ir ao enterro do amado amigo. O morto era o Jorge, o mais tímido dos seis, mas era o que melhor jogava baralho. As lembranças foram se expandindo, então Osmar estava recordando não apenas de Jorge e sua habilidade para as cartas, mas dos outros quatro. Quantos momentos memoráveis!! 
Osmar pegou um táxi, indagou ao motorista se conhecia o endereço do cemitério. O motorista assentiu com a cabeça e ficou encarando Osmar pelo espelhinho. Osmar começou a suspeitar que o taxista fosse gay, mas logo se pegou encarando-o com a mesma fixação. Ambos sacaram na mesma hora que se conheciam. Ora, o taxista era Carlos, o que era o mais mulherengo dos seis amigos. Depois da descoberta incrível, Osmar dividiu a notícia da morte de Jorge. Carlos sentiu um aperto no peito, falou para Osmar que nem ia cobrar a corrida, pois estava a fim de prestar essa última homenagem ao caríssimo Jorge.
Carlos parou num posto de gasolina para comprar cigarros, pois saber de repente da morte de um antigo amigo o deixou muito tenso. Estava havendo um assalto numa loja ali perto e o bandido cruzou o caminho de Carlos enquanto corria. O taxista, então, quis dar uma de heroi e correu atrás do ladrão, prometendo para Osmar que voltaria logo. Carlos alcançou o ladrão, caiu sobre uma calçada junto com ele e já ia lhe encher de sopapos quando reconheceu uma cicatriz familiar em seu pescoço. Não era possível. Era o inconfundível Arnaldo, o mais baixinho dos seis amigos, o que vivia sofrendo bullying porque tinha língua presa e tinha uma cicatriz por ter levado um corte de faca num assalto uma vez. Que circunstância mais bizarra!! Com o problema da língua presa ainda muito forte, Arnaldo pediu desculpas morrendo de vergonha para Carlos. Em alguns minutos, Arnaldo estava no táxi com Carlos e Osmar. Acabava de saber da morte repentina de Jorge. Lamentou não ter perdoado Jorge no dia da festinha de encerramento do ensino médio, por conta de uma briguinha envolvendo uma garota. 
No caminho para o cemitério, os 3 amigos no carro foram rindo e trocando recordações. Carlos tocou no som do táxi umas músicas típicas daquela época. Quem diria... Estavam se unindo novamente para o enterro de um deles. Era curiosamente sinistro. Ou sinistramente curioso. 
Finalmente chegaram ao cemitério. Havia um número considerável de pessoas, todas realmente lamentando a perda do viciado em canastra. Carlos discretamente "deixou cair" alguns cartões de propaganda de seu táxi, vai que alguém pudesse precisar depois... Osmar preferiu não ficar muito perto dos outros dois, pois sempre foi o mais arrumadinho; Carlos era um humilde taxista e Arnaldo estava ainda sujo da queda que rolou durante a perseguição minutos antes.
Uma mulher loiríssima, chiquérrima e alta estava em prantos bem audíveis, se lamurinando por ter perdido o "homem mais maravilhoso da face da terra". O padre começou a fazer os ritos da cerimônia, até que Carlos, Osmar e Arnaldo perceberam, ao mesmo tempo, que o sacerdote era ninguém menos que Edgar. Mas logo o Edgar, que era ateu convicto e vivia zombando de imagens de santos católicos?? Aquele dia estava extremamente absurdo. Edgar acenou com ternura e lágrimas nos olhos para os outros três. Estavam ali cinco reunidos, sendo um deles encaixotado e pronto para ser coberto pela terra. Mas faltava o sexto elemento: Charles. 
Acabou o enterro, os quatro amigos foram tomar uma cerveja (Edgar optou por um suco natural, essa vida mundana morreu antes de Jorge). Relembraram mais algumas coisas, lamentaram que a corrente de coincidências não tenha colocado Charles no caminho deles. Como será que o sexto elemento estava vivendo a vida? Ele era o que dava conselhos amorosos, o que ouvia os desabafos, o que dançava quadrilha na escola... Foi uma pena não terem esbarrado com o saudoso Charles. Despediram-se e resolveram manter contato dali em diante.
Mas... Coitado deles... Nem tiveram tempo de descobrir que Charles esteve entre eles durante todo o enterro. Só estava um pouco diferente do habitual. Charles agora era Charlotte, seus cabelos eram loiros e muito provavelmente iria amargar longos dias de depressão por ter perdido o grande amor de sua vida...

9 de novembro de 2011

MULHERES MACHISTAS ?!?!




É de praxe que algumas coisas nesse mundo, com as quais estamos acostumados em nossa sociedade, tem seu lugar e papel definidos. Ou melhor, convencionalmente definidos, como os estereótipos do homem comum e da mulher comum. Homens fazem isso, mulheres fazem aquilo. Homens não fazem isso, mulheres não fazem aquilo.
Machismo é uma manifestação típica dessa ideia. Consiste em o homem estar posicionado numa determinada situação, que muitas vezes pode ser rude, grosseira, o que caracterizaria justamente o fato de ser do sexo masculino. Normalmente, os homens são severamente criticados pelas mulheres quando demonstram machismo. Às vezes não são eles os criticados, mas as circunstâncias sociais que tem se prolongado favoravelmente ao machismo. Enfim, machismo pode ser entendido como um comportamento que insinua uma certa “supremacia” do homem sobre a mulher ou impõe limites a um suposto modelo de comportamento masculino. Machismo é resultado de séculos e séculos de História, e nem toda intensidade comportamental masculina se caracteriza “machismo”. Machismo também pode ser uma espécie de abuso, físico e/ou emocional. Um exemplo interessante: homem não pode dançar balé, pois “quem dança balé é mulher (ou “bicha”, na pior das hipóteses)”. O que você leu é um exemplo estúpido de machismo, pois como pode o balé por si só influenciar um heterossexual que decidiu praticá-lo? Mas muitos pensam assim, talvez até você que está lendo...
Mas o pior tipo de machismo, de longe, é o machismo feminino. Isso mesmo. Mulheres que são “muito femininas” e que (veja só que irônico) justamente por isso levantam a bandeira da categorização dos sexos, com seus respectivos papeis bem distribuídos, como se a vida fosse um espetáculo teatral e todos tivessem falas, trejeitos e ações impostas por seu gênero. A pior atitude de uma mulher machista é desmerecer que muitos homens tem perspectivas emocionais muito complexas. Aliás, as mulheres machistas acham que complexidade é coisa de mulher, já que “mulheres é que tem frescuras”. Ora, não custa lembrar que antes de sermos homem ou mulher, somos humanos. Intelecto, emoções, personalidade, tudo que está ligado à essência, nada disso tem sexo. Claro que um traço ou outro é mais evidente ou menos presente em homens ou em mulheres. No entanto, características UNIVERSAIS devem passar longe do crivo utilizado para o julgamento de comportamentos, ainda mais se for um julgamento tão raso baseado puramente em idealizações sociais.
Este post não visa desprezar muitas características indiscutíveis que diferenciam homens de mulheres, socialmente falando. De um ponto de vista pessoal, eu nunca saberei decorar uma sala como muitas mulheres saberiam fazer. Você viu o cuidado em minha frase? Muitas mulheres. Se eu digo que TODAS as mulheres conseguem, estaria sendo machista, baseando-me em um pensamento generalizado, e desrespeitando aquelas que não tem a mínima habilidade com decoração, mas que nem por isso deixam de ser mulheres. Entretanto, o fato de um homem saber decorar uma sala melhor que uma mulher não faz dele gay, por exemplo, mesmo que até haja uma certa frequência do referido, assim como com cabeleireiros e bailarinos.
Para mim, os seres humanos são demasiadamente complexos para alguém chegar e pregar uma etiqueta para qualificá-los em seus respectivos gêneros. Deixemos as diferenças falarem, mas não podemos ter preconceito com as igualdades.


11 de outubro de 2011

EU QUERO MINHA INOCÊNCIA DE VOLTA


Eu quero minha inocência de volta
Aquela inocência pueril, colorida
que fazia ter graça viver a vida
Mesmo fedendo a moleque cascão
Que do banho fugia com precisão
Mas pra se sujar do nada aparecia


Quero poder ficar perto dos grandes
que não me corrompam, nem machuquem
que não me roubem, nem deturpem
Apenas me alimentem de comida e amor
Apostem em meus sonhos
E me confortem na dor


Eu quero brincar com as galinhas da vovó
Me empanturrar de doce de leite, chocolate em pó
Quero correr descalço debaixo da chuva
Não é possível que é impossível o que eu podia
Sinto falta de cada detalhe daqueles dias
Onde andam meus queridos amigos agora?


Quero brincar com meus brinquedos bobos
Mesmo que me enganem na casca do ovo
Não quero feder a saliência de gente grande
Quero manter minha integridade de infante
Sorrir à toa, falar besteira, desengonçado entrar na dança
Só quero o direito de ser eu: criança!