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14 de outubro de 2008

ESTRÉIA- - - - 1o EPISÓDIO DE "O OUTRO LADO DA VERDADE"- - - -


O CRIMINOSO DA MADRUGADA


Alicia, por um ínfimo segundo, perguntou a si mesmo se aquilo não era realmente um terrível pesadelo. Seu marido, Oswald, tinha a cara estampada na tela da Panasonic 29’, naquele horário do mundo cão na TV. Ele estava sendo acusado de assassinar um motoboy de vinte e poucos anos, durante a madrugada.

Atordoada, ela acompanhava cada palavra do repórter, que dava detalhes de como o crime fora cometido. Não podia acreditar que o marido fosse o autor de tal atrocidade; o tal motoboy havia levado três tiros, sendo que um o atingira em cheio no coração.

Com cara de inocente e lágrimas dramáticas, Oswald em vão tentava se explicar para um delegado munido de testemunhas oculares (e a câmera da televisão filmando tudo). Uma vizinha na casa de Alicia apareceu esbaforida: “Menina, é o teu marido no jornal, não é?”, “Sim, é ele, mas...”

Em outra tomada, a mãe do motoboy era filmada num drama ainda maior que o de Oswald. Segundo ela, era seu único filho trabalhador, responsável e que dava uma ajuda muito importante em casa. Morreu injustamente, durante serviço. Ela estava inconsolável e clamava, agora olhando para a lente da câmera, que a justiça fosse feita imediatamente. Que aquele monstro assassino devia ser punido, embora não fosse, segundo a senhora, o suficiente por ele ter tirado uma vida inocente.

O OUTRO LADO:

Oswald ficou até tarde reunido com dois de seus colegas de escritório, no apartamento de um deles, terminando um projeto que salvaria o futuro de sua empresa. E o chefe havia posto em suas mãos a coordenação do mesmo. Apesar de faltar uma etapa importante a ser definida, Oswald decidiu se retirar e ir para casa, passar as últimas horas de sono ao lado da mulher.

As ruas da cidade estavam desertas, a não ser pela presença de uns poucos carros, motos, bêbados ambulantes, mendigos, prostitutas e gente desconfiável. Dirigia tranquilamente. Olhou no relógio: três e vinte. Precisava estar pronto para o batente às sete.

Não muito longe dali, um rapaz de vinte e poucos anos, trajando uma jaqueta preta e calça sport, subia em sua moto carregando no peito uma grande mágoa e desespero. Já havia decidido que nunca mais precisaria fazer aquilo, mas a necessidade de sustentar uma namorada que não o amava e um filho que não sabia, mas não era seu, o faziam ter de tomar aquele rumo. Preparou a arma arranjada por um amigo traficante, gente com a qual ninguém sabia que ele lidava. Aquela era a noite do retorno aos velhos hábitos.

Oswald foi a vítima de Antônio Carlos, motoboy que saíra naquela madrugada não para trabalhar, mas para cometer um assalto. Não era o primeiro. Aliás, com sua moto e habilidade, já havia prejudicado muita gente, em nome, talvez, das injustiças sociais ou da falta de perspectiva diante de problemas cuja solução sempre é o “caminho mais fácil”.

Ao perceber a ameaça, que ordenava: “Sai do carro, velho, sai do carro, passa carteira, celular, manda, manda, manda!”, Oswald só teve uma reação, que foi a de ficar aflito. “Peraí, calma, calma”, disse ele, tentando se concentrar em tomar uma atitude. Havia uma arma no porta-luvas, para casos de urgência. Oswald só não esperava que realmente, em quatro anos, fosse precisar mesmo dela. Aproveitou um milésimo de segundo de distração do assaltante e pisou no acelerador com tudo, a quase 100 por hora. Antônio Carlos se irou e acelerou atrás, apontando o revólver e atirando. Conseguiu atingir o vidro traseiro, que por pouco não acertou Oswald, que dirigia em zigue-zague para confundi-lo. A presença de um caminhão de carga o fizera reduzir a velocidade e, por conta disso, o motoboy o alcançou e, parando diante da janela do passageiro, bradou com ímpeto: “Filho da puta! Tu vai morrer, porra, tu vai morrer é agora, filho de uma...”

O primeiro tiro foi no estômago. Em menos de um segundo veio o outro, perto do estômago de novo. Mas o terceiro e definitivo, que selou o fim daquela perseguição, foi como uma estaca cravada no peito de um vampiro. Desde o primeiro tiro, com o susto, o motoboy já tinha deixado a arma cair. Dessa vez, foi o corpo de Antônio Carlos que caiu desfalecido no asfalto, fulminado. Um casal numa outra moto, que estava cruzando a esquina entre o segundo e o último tiro, interpretou a cena erroneamente e memorizou a placa do carro, informando imediatamente à polícia.

Desde então, o caos estava instaurado. Mas a “verdade” já havia sido decretada, e o “assassino”, atrás das grades.

3 comentários:

Cleberson Wagner disse...

Acho que o caso do motoboy foi um ato desesperador ou uma útlima tentativa de ser regenerar. Acredito que a situação escapou de seu domínio. Daí de ter começado uma busca que ao menos, saberia o que viria a seguir. Acredito também que ninguém está a situações como estas já que quando as coisas saem fora do controle não sabemos como agir e que atitude tomar. Mas o caso dele foi um caminho sem volta, infelizmente. Abraços Amigo!

rúbia disse...

O MOTOBOY DEVERIA TER TOMADO OUTRA DECISÃO,+ NO MUNDO EM QUE VIVEMOS AS VZS NOS DESESPERAMOS E PERDEMOS A CABEÇA. PARABÉNS ADOREI SUA HISTÓRIA,COMO SEMPRE BEM FEITO.

klasat disse...

Gostei da trama e de como vc narra. Bom... acho que é isso estou sem vontade de escrever mais. Abraços2272