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1 de dezembro de 2010

crônica: DESCONECTOFOBIA


Silvinho chegou esbaforido em casa. Soltou um tremendo de um palavrão quando viu que sua irmã Lorena havia levado o PC pro seu quarto e trancado. Exclamou: "Morri". Silvinho sabia que Lorena devia estar estudando pra algum concurso público, mas pôxa vida! O notebook era dele, e ele já não aguentava mais de ansiedade de atualizar seu twitter com as novidades da facul, além de postar em seu blog um novo top 10, desta vez com as gatas solteiras mais interessantes do turno da noite. Silvinho havia salvo em seu pendrive de 4 GB toneladas de fotos que pescou nos Orkuts dessas benditas meninas, além de algumas imagens exclusivas que saiu catando de amigos próximos.
O blog de Silvinho tinha uns 50 seguidores, sendo que 20 o seguiam meio que por uma "ética internética", um certo número o seguia por amizade e uns 15 realmente gostavam de seus posts. 
O celular exibia na tela a mensagem de 5 ligações perdidas. Era um amigo/vizinho de Silvinho, o Andrey. Convidava-o para ir até sua casa jogar conversa fora, falar sobre mulheres, combinar uns rolos... Mas Silvinho estava sedento para trocar umas ideias com seus novos amigos virtuais, que não tinham nome, tinham nickames; não tinham rosto, tinham avatares... Como se não bastasse, Silvinho agora tinha várias namoradas. Virtuais, obviamente. Mas elas o entendiam e o amavam muito mais do que todas as garotas com quem tentou se envolver. Elas retwittavam qualquer coisa que ele escrevia, indicavam-no a ser seguido no twitter, comentavam suas fotos sem camisa no Orkut, curtiam-no no Facebook e indagavam-lhe sem-vergonhices no Formspring. Que mais um homem solteiro-urbano-moderno pode querer? O chato, porém, é que essas gurias eram mais novas do que Silvinho, e TODAS ostentavam em sua vida virtual o quanto eram enloquecidas pelo Luan Santana e o Fiuk.
Silvinho ficou no quarto, roendo as unhas, olhando fixamente para a parede monocolor de seu quarto, que agora possuía a crueldade de um vazio aterrador sem a internet disponível. Seus olhos estavam esbugalhados. Silvinho pensou até em usar o celular para interagir com a galera. Mas não era a mesma coisa, e ele tinha certeza que as redes sociais estavam bombadaças naquela noite. Portanto, pelo celular ia ser tenso.
A irmã de Silvinho foi dormir, esqueceu de devolver o notebook, e ele perdeu aquela que poderia ser sua noite de glória (toda noite ele esperava que fosse uma noite de glória). Foi se deitar sem jantar, sem trocar um lero com a mãe, sem tomar banho... Aqueles eram claros sinais de uma crise aguda de abstinência. Estava louco para que o amanhã chegasse logo, pra recuperar o PC e  twittar o quanto sua noite fora um saco!

5 comentários:

Mensagem Efêmera disse...

kkkkkkkkkk
Sinto que isso é uma indireta! haha
Mas amei a crônica, sinceramente. :D

Jéssica G3 disse...

Crônica moderna!

Genny LiMo disse...

(Risos) Ai ai... "#Alok Gostei pacas dessa tua crônica, menine!" Huhuhu... PQP! Senti mta penhinha do Silvinho, tadinho dele. ;/

Fica bem! Bom fim de semana Marvin, ótima a sua crônica, parabéns.

Marcos Lessa disse...

muito boa essa crônica retrata diretinho algumas pessoas que conheço...Suashshashauhs

Anônimo disse...

(toda noite ele esperava que fosse uma noite de glória) Pobre garoto em crise abstênica internáutica....já passei por isso. mas nunca tive fotos cm pouca roupa me exibindo nas redes sociais... n sou famosa na net ;/

HelianaBastos